segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Artigo - Mães da Praça de Maio

Achei um pequeno resumo da história das Mães da Praça de Maio
ai vai um trecho do artigo retirado do site http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=749


Hebe Pastor de Bonafini, argentina, presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, tem hoje 71 anos. Em 1976, quando na Argentina se instalou a ditadura militar que duraria até 1983, era mãe de uma família comum. Tecedeira casada com um mecânico, tinha dois filhos com vontade de viver. O mais velho, professor e investigador universitário, fazia trabalho político na Universidade e, em colaboração com elementos da Igreja, alfabetizava de adultos num bairro pobre de Buenos Aires.
Foi preso aos 26 anos, esteve um ano e meio num campo de concentração desaparecendo depois para sempre. O filho mais novo, de 23 anos, desapareceu, dez meses depois do irmão, após ser preso, quando participava numa reunião sindical. A nora, mulher do filho mais velho, desapareceu um ano e meio depois do marido. Esta é a história de uma família comum, igual a milhares de outras histórias de famílias que viveram a ditadura militar argentina (e de outras ditaduras de outros países).
A outra história, a que dá um outro sentido às repetições, a que parece ensinar como transformar a repetição e a rotina em movimento de transformação, a que nos pode devolver a esperança, é desencadeada por esta e muitas outras mulheres que a ela se associaram. Há 22 anos que todas as semanas, à Quinta-Feira, as mães das e dos "desaparecidos", se concentram na Praça de Maio e exigem que lhes devolvam os desaparecidos. Vinte e dois anos sem uma falha. Às vezes são centenas, em momentos especiais são milhares.
Vinte e dois anos depois ninguém acredita que os sequestrados, os torturados e os desaparecidos durante a ditadura regressem com vida. Mas estas mães de Maio persistem, semana após semana, dia após dia, em dar sentido, em dar vida, aos que partiram. Como? Lutando pela dignidade dos que ficaram.
O poder actual na Argentina - que elas acusam de ser mero disfarce do anterior - quis comprar-lhes a vida dos desaparecidos. Mas elas recusaram o dinheiro e exigem justiça. Exigem o julgamento dos assassinos e torturadores. E exigem sobretudo uma outra atenção aos jovens de agora. Nestes últimos 22 anos, as mães da Praça de Maio reinventaram, semana após semana, novas formas de luta pela dignidade e pela justiça social. Desenvolvem trabalho social nos bairros mais pobres. Publicam um jornal mensal. Abriram um café literário. Promovem debates sobre a condição dos jovens de hoje. Intervêm combatendo as novas formas de morte, de tortura, de "desaparecimento" (de exclusão) social e político dos jovens. Vinte e dois anos de persistência e de criatividade

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